
Por Pedro Morais Fonseca, enviado da Agência Lusa
Nova Iorque, 25 Set (Lusa) - O primeiro-ministro português, José Sócrates (foto), fez nesta terça-feira, em seu discruso na Assembléia Geral da ONU, uma referência crítica indireta à guerra no Iraque e ao unilateralismo político:
"Se há ensinamento que a passagem para o século 21 nos trouxe foi o de que os desafios globais exigem respostas globais, e exigem um multilateralismo efetivo, que se joga aqui, nas Nações Unidas e com as Nações Unidas", disse Sócrates, que discursou na 62ª Assembléia Geral das Nações Unidas na qualidade de presidente do principal órgão da União Européia (UE).
O premiê português, que lidera o Conselho Europeu até o fim de dezembro, afirmou ainda que a União Européia está preparada para assumir responsabilidades na questão do Kosovo e pediu mais apoio para as missões das Nações Unidas, para a erradicação da pobreza e para consolidação do Timor Leste.
Ao longo de 13 páginas, Sócrates abordou as principais questões da agenda da política externa européia e referiu-se a prioridades da Presidência portuguesa da UE como a cimeira UE-África (em dezembro) e o processo de autonomia do Kosovo.
O chefe do governo português defendeu o primado do direito internacional, do multilateralismo e das Nações Unidas para a resolução das grandes questões globais, sejam elas de carácter ambiental ou político.
Citando o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio para o desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza, o premiê defendeu a realização da cúpula UE-África como esforço de dois continentes para uma "estratégia conjunta" e "ambiciosa".
Kosovo e Oriente Médio
Em relação à questão do Kosovo, José Sócrates defendeu uma solução "política abrangente, democrática e multi-étnica".
"Apelamos para que ambas as partes [sérvios e kosovares] se comprometam neste processo de uma forma construtiva e criativa. A UE está preparada para desempenhar um papel de relevo na implementação do estatuto que vier a ser acordado", disse.
Em relação ao Oriente Médio, o presidente em exercício da UE pediu ação "rápida" do ponto de vista diplomático e disse que a estabilização do Líbano terá efeitos positivos na região. Segundo o premiê, a Europa continuará a participar "no esforço coletivo exigido por uma situação humanitária e de segurança extremamente precárias".
"No mesmo sentido, a UE mantém o seu apoio à promoção da paz, estabilidade e prosperidade no Afeganistão e na região", acrescentou, lembrando que a UE é atualmente "um dos principais doadores" daquele país.
Timor Leste
O primeiro-ministro pediu o apoio da comunidade internacional à consolidação do Timor Leste enquanto nação, "para que a paz não se confunda com o período entre duas guerras".
"Graças ao forte empenho e investimento da comunidade internacional para consolidar os alicerces da sua afirmação como Estado viável e de pleno direito, da sua democracia e do seu desenvolvimento, Timor Leste conseguiu realizar com sucesso as recentes eleições, as primeiras que organizou autonomamente", disse Sócrates.
Apesar de identificar progressos no país asiático desde a independência, o líder do país que tem a Presidente rotativa da UE afirmou que "continua a ser necessária a presença de todos os atores, para garantir a segurança e a estabilidade política, econômica e social no país".
Apoio
José Sócrates manifestou apoio ao Tribunal Penal Internacional e alertou para a necessidade de promoção dos direitos das crianças. Além disso, pediu a abolição da pena de morte e uma maior cooperação com instituições como o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), a Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho.
O premiê luso também elogiou as missões das Nações Unidas e da União Africana em Dafur, no Chade Oriental, e no norte da República Centro Africana.
Sócrates deixou ainda mensagens em defesa de um tratado internacional contra a proliferação de armas, de uma convenção global contra o terrorismo e da estratégia do ex-presidente português e alto representante das ONU para a Aliança das Civilizações, Jorge Sampaio.
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