quarta-feira, 19 de setembro de 2007

POLÍTICOS PRECISAM-SE


É absolutamente inegável que o regime democrático português tem sofrido várias mutações, não só na forma como os órgãos de poder se relacionam com os cidadãos, mas também na forma como os órgãos soberania interagem. Vem-se vulgarizando a ideia de que os legítimos representantes do povo, aqueles que solenemente juraram defender os direitos e interesses dos portugueses, imperturbáveis na prossecução daquilo que alguns definem como o superior interesse público, servem apenas interesses económicos e patrimoniais de uns poucos!
Longo tem sido o caminho percorrido pelos portugueses desde a revolução e profundas têm sido as mudanças de atitude destes para com o Estado, designadamente com os titulares dos órgãos de soberania. A esperança e euforia revolucionárias, que levaram milhões de portugueses às filas para as assembleias de votos parecem hoje substituídas pelo desânimo e descrédito. A política é hoje um assunto maçador entregue a um punhado de sujeitos cinzentos que em discurso devidamente uniformizado pelos melhores padrões do “politicamente correcto” insistem em ocupar alguns minutos do intervalo entre notícias de crime e futebol. O descrédito e a desvalorização da condição dos agentes políticos conduzem não só a uma indesmentível degradação da autoridade do Estado, mas também a uma preocupante erosão da nossa consciência nacional.
A falta de liderança e de um projecto galvanizador e unificador do espírito nacional vai fazendo sucumbir os valores e princípios que ao longo de séculos consolidaram os valores diferenciadores do espírito português e que a história nos encarrega de transmitir às gerações futuras.
Mas o processo de resgate da esperança e da confiança exige uma atitude mais activa e participativa de todos os cidadãos. O alheamento das questões públicas e a passividade na aceitação dos discursos derrotistas deve merecer de todos veemente repúdio e rejeição, adoptando todos os portugueses uma atitude reivindicativa de maior exigência e rigor. Porém, os populismos e demagogia devem ser combatidos e reprovados, pois se a Europa e o mundo globalizado são realidades cada vez mais complexas, com novos perigos e obstáculos, não deixam hoje de oferecer desafios e oportunidades a todos os povos que os saibam aproveitar.
É assim, indispensável que Portugal compreenda o seu contexto histórico e desenvolva um projecto nacional devidamente integrado na nossa realidade específica, mas também no contexto das nações ocidentais. Urge hoje, como no passado, olhar além dos horizontes e quebrar os grilhões dos nossos medos e anseios. Portugal continua, afinal, por cumprir-se!

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