quinta-feira, 13 de setembro de 2007

São dias assim...

Do dia que passou apenas posso dizer:

Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.

Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.

Dá o sopro, a aragem — ou desgraça ou ânsia —
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistaremos a Distância —
Do mar ou outra, mas que seja nossa!

in: A Mensagem (Fernando Pessoa)


Não perder a esperança é uma virtude, mas maior é aceitar as derrotas de cabeça levantada.

1 comentário:

Marta disse...

Não poderia concordar mais contigo!
Beijinho*